Você sabe qual é o valor da sua dívida?


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André Calabró, diretor da Recovery, empresa que faz gestão de carteiras em atraso, fala nesta entrevista à Letras & Lucros, que ser franco e mostrar-se organizado são pontos que ajudarão a chegar a um bom acordo com o credor. O trabalho da Recovery é recuperar crédito para que os consumidores voltem ao mercado e hoje é a maior empresa deste setor em atuação no País.

 

O que o sensibiliza na hora de negociar?

De verdade? É a situação da pessoa. No evento que fizemos no Jardim Miriam para renegociação de dívidas, vimos que as dívidas eram bem baixas, de cerca de 300 reais. Então ver que a pessoa quer pagar, mas não pode, precisa parcelar. Tem casos que até fogem do que estamos acostumados a fazer porque o valor é muito pequeno, mas o que mais me chama atenção é a vontade e a necessidade que a pessoa tem de regularizar seu nome e a impossibilidade que ela tem de pagar. Então isso é um dilema.

O que essa pessoa pode levar de informação que pode ajudar nesta negociação?

Primeiro tem que ter claro o quanto pode pagar. Isso vem melhorando ao longo do tempo. Quando começamos a fazer esses eventos de renegociação de dívidas, em 2013, as pessoas não tinham essa ideia. Mas hoje muitas vezes o cliente chega lá sabendo o que ele pode pagar. A gente nunca sabe se de fato é o que ele pode pagar, mas ele chega com um número. Já mostra que ele quer fechar o negócio. No Nordeste isso é mais claro que São Paulo, é mais comum o cliente chegar já sabendo quanto tem para pagar por mês.

 Nesses feirões de renegociação de dívida o que mais tem chamado sua atenção?

O que mais chama atenção é que o pessoal chega lá sem saber como contraiu a dívida e nem mesmo o valor original da dívida. Ele sempre diz, não era tudo isso! Mas estou falando do valor original, sem juros ou multa e ele não tem ideia de gastou tudo aquilo. Isso acontece mais no cartão de crédito. Nos financiamentos, ele tem o carnê, os parcelamentos, aí fica um pouco mais fácil dele saber.

 Como ocorre a negociação?

O cliente chega porque recebeu uma carta de cobrança e o ideal é que ele chegue já dizendo “ eu tinha uma dívida de tanto”. Aí vamos no sistema e confirmamos a informação então já sabemos que a pessoa sabe qual é a dívida e isso adianta a negociação. O cliente diz então: “ eu quero pagar, me diz quanto é para quitar e quanto é em parcelas”. Passamos então a informação para que ele avalie.

 E depois, o que acontece?

O próximo passo é ele dizer, eu tenho tanto para pagar por mês ou tanto à vista.  Por essa conversa dá para saber que a pessoa entende o que está acontecendo na vida dela. E aí a negociação flui mais rápido, mais fácil e, principalmente, com mais chances de sucesso para os dois lados. Na negociação tem sempre flexibilização, a gente aumenta o prazo.

Qual o pior caso?

Quando a pessoa não sabe quanto gastou e quando ela não tem a menor ideia de como pagar. Se falarmos 500 reais por mês ou 3 mil reais por mês ela diz que está bom. Porque nesse caso reflete apenas que ele quer pagar rápido para limpar o nome. E aí a gente vê, não vai dar. Não adianta negociar para não honrar.



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