Contas inativas do FGTS: Como vai ficar nossa economia ?


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O assunto, ‘contas inativas do FGTS’, está agitando o mercado e deixando o trabalhador cheio de dúvidas de como usar essa renda extra. Por outro lado, essa injeção de mais de 40 milhões na economia pode gerar novos endividados. Pagar as dívidas, investir ou fazer uma viagem? É o grande questionamento nesse momento.

Para saber o impacto econômico desta medida e o que fazer com o dinheiro, conversamos com Thais Zara, economista-chefe da Rosenberg Associados.
 
Letras & lucros: Serão 30,2 milhões de correntistas do FGTS com direito a sacar os valores, que somam R$ 43 bilhões - quase 0,7% do PIB do Brasil. O qual é o aquecimento real que esse grande valor vai trazer para a economia brasileira?

Thais Zara: Primeiro, é preciso levar em conta o percentual de pessoas que efetivamente realizarão os saques. Historicamente, 70% das pessoas que têm direito aos saques efetivamente o realizam; caso este percentual se aplique, a injeção de recursos seria da ordem de R$ 30 bilhões. Caso a totalidade de recursos seja destinada ao consumo das famílias, isso poderia representar um aumento de até 0,7% no consumo das famílias. Todavia, parte destes recursos poderá ser utilizada para quitar dívidas ou mesmo para poupança em aplicações com rentabilidade maior que a do fundo, o que reduziria o impacto dos recursos sobre o consumo.

L&L: 90% desses correntistas terão direito a menos de 3 mil reais, ou seja, a grande maioria irá resgatar valores menores, isso pode favorecer a aquisição de bens de consumo básicos (geladeira, TV, eletrodomésticos em geral)?

TZ: Estes saques tendem a ser direcionados tanto ao consumo quanto à quitação de dívidas, com uma proporção menor de direcionamento à poupança.

L&L: Visando a "limpeza do nome", a quitação de dívidas pode também ajudar nesse aquecimento?

TZ: A quitação de débitos anteriores poderá estimular a obtenção de crédito em condições mais vantajosas no futuro, porém o impacto deve ser limitado pelo montante de recursos a ser liberado.

L&L: Qual é o conselho de um economista para quem tem um dinheiro a receber? Aplicar longo prazo? Quitar dívidas? Realizar sonhos?

TZ: Se houver dívidas, especialmente a taxas mais elevadas, o melhor é quitá-las. Caso a dívida seja a taxas mais baixas (financiamento imobiliário adquirido em 2012/2013, por exemplo), o melhor é aplicar o dinheiro.
Se não houver dívidas, porém houver a necessidade de aquisição de algum bem, é melhor utilizar o dinheiro extra do que se endividar na compra.
Porém, se não houver pressa na aquisição do bem em questão, talvez seja melhor poupar o dinheiro e realizar a compra no futuro, aproveitando para aumentar o capital enquanto as taxas de juros ainda estão elevadas.

L&L: Esse dinheiro na mão não pode gerar um maior endividamento de quem não tem controle?

TZ: Se a opção for utilizar o dinheiro extra para dar entrada em algum bem de maior valor, é preciso analisar com rigor as condições do crédito. Talvez seja melhor poupar o dinheiro e utilizá-lo mais adiante como entrada, quando o capital já for maior e as condições para crédito (taxas de juros) estiverem mais favoráveis (isto é, quando a taxa Selic, que está em queda, já tiver se reduzido ainda mais).

L&L: Quem não vai aplicar o dinheiro, não é melhor manter na conta para um momento de desemprego ou uma emergência?

TZ: Mesmo quem não tem intenção de aplicar o dinheiro a longo prazo ou de utilizá-lo imediatamente deve tentar utilizar aplicações de curto prazo – nem que seja na poupança ou em um CDB. As taxas de juros ainda estão elevadas e a rentabilidade extra destes recursos não deve ser desprezada. Mas, sem dúvida, a construção de uma poupança para emergências é importante e o recebimento destes recursos pode ser, para muitos, o primeiro passo nesta direção.

 






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