Fale de dinheiro com sua família


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Por que é difícil falar em dinheiro
 
O dinheiro é tabu porque faz parte do privado, assim como o sexo. Ele ainda traz conotação negativa, de que é a raiz de todos os males. Cobiça e avareza são dois dos pecados capitais. A virtude está na humildade, no desprendimento, na espiritualidade, no altruísmo. Os ricos são vistos como corruptos, oportunistas, egoístas, aproveitadores e materialistas.
O dinheiro também está associado a emoções negativas. As pessoas não gostam de contar que perderam dinheiro em um mau negócio (um investimento ou uma compra errada) e lamentam sempre que ganham pouco. O jeito como a pessoa lida com o dinheiro pode fazer com que ela sinta culpa, vergonha ou medo de que o dinheiro falte. O modo como se gasta, guarda ou ganha fala muito sobre a pessoa.
 
 
Quando e onde conversar
 
O dinheiro não pode ser uma discussão monotemática entre o casal. As finanças não são o único motivo a provocar atrito no casamento, mas não dá para falar sobre dinheiro o tempo todo, desde a hora em que o casal acorda até a hora em que vai dormir. As pessoas precisam estar dispostas a se entender e não em firmar posições e mostrar que estão com a razão.
Combine um lugar apropriado e um momento para falar de dinheiro. Combine como vocês terão essas conversas e esteja disposta a ceder e a fazer concessões. Marque, por exemplo, uma hora semanal. Tempo acabado, não necessariamente o assunto estará resolvido, mas haverá uma nova oportunidade para que o assunto continue, no próximo encontro definido.
Se as conversas não forem produtivas porque os ânimos se alteram, é bom procurar a ajuda de um terceiro para mediar a comunicação.
 
Entenda o estilo financeiro do outro
 
Cada um tem um estilo financeiro próprio, pois aprendeu a lidar de forma diferente com o dinheiro. Cada pessoa tem seu próprio entendimento de como ganhar, gastar, guardar, investir, doar, negociar e colocar preço no seu serviço.
O dinheiro também está associado ao amor: “se me dá é porque me ama; se for mesquinha com o valor do presente é porque não me ama”. Cada pessoa tem sua expectativa. A mulher chega em casa e o marido diz: “tenho uma surpresa para você”. O coração dela dispara e ela pensa: “ele deve ter comprado uma bolsa maravilhosa para mim”. Então ele diz: fiz um jantar para você, uma saborosa provoleta. E ela diz: “mas eu nem gosto de provolone”. Aí vem o quiproquó conjugal: você dá uma coisa pensando em agradar o outro que não tinha expectativa de receber aquilo.
 
Por que esconder as finanças
 
Expor a vida financeira torna a pessoa vulnerável à reação do outro, que pode se decepcionar, reprovar e se afastar ou tirar proveito caso descubra que o parceiro é rico. Pais que têm dificuldades financeiras e não as comunicam aos filhos, podem levá-lo a interpretar sua recusa em lhes dar o que pedem como falta de amor e consideração. E quando os filhos têm seus desejos satisfeitos à custa de endividamentos que mais tarde explodirão, eles passam a ver seus pais como incompetentes. Mesmo quando os pais são ricos, há discussões sobre o que gastar e quanto, já que cada membro da família tem seus próprios desejos e sua avaliação sobre se vale a pena fazer uma despesa ou não. Na amizade, as diferenças também são geradoras de conflito. Por exemplo, duas amigas podem ter um bom relacionamento, mas, numa viagem juntas, podem se deparar com a descoberta de que elas lidam de forma muito diferente com o dinheiro e ter discussões seriíssimas por isso.
 
Como lidar com perfis financeiros diferentes?
 
Existem casais de perfis extremos, como por exemplo, o que sabe ganhar dinheiro e o que fica estagnado, que não quer sair daquele salário médio, de um emprego sem ambição. Adquira consciência do seu próprio estilo financeiro para depois entender o do outro. Histórias de vida explicam o comportamento das pessoas. “A mulher era a aluna pobre da escola que só tinha alunos ricos”, ou “ele era filho de um pai pobre, que tinha um irmão rico”, ou “a mulher via os pais brigarem por causa de dinheiro e a mãe esconder as compras debaixo do sofá”. Cada um deve falar de seus sentimentos com relação a dinheiro, seus temores, suas dificuldades e seus desejos e estabelecer objetivos conjuntos.
 
Fonte Lana Harari, terapeuta. 





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