Recado da Mariza


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Mary Tyler Moore ainda tem lições a nos ensinar


Por Mariza Tavares
A morte da atriz Mary Tyler Moore, na semana passada, serviu para reavivar a importância do programa que ela protagonizou na década de 1970 – quase 50 anos atrás! Naquela época, o movimento pelo protagonismo das mulheres ainda era associado a feministas exaltadas queimando sutiãs em manifestações. Na TV, então, mulher era esposa e mãe, com um “sim, querido!” como fala mais frequente. Mas não no “Mary Tyler Moore Show”, onde a personagem, Mary Richards, era solteira e empenhada em construir uma carreira sólida, embora enfrentasse mais baixos que altos no amor. Também usava pílula cobrava e salário igual ao dos colegas homens, sem deixar de lado as roupas femininas e um inesgotável otimismo – em resumo, uma afirmação de gênero positiva que se refletiu até os dias de hoje.
 
Mary soube transpor a ficção para a realidade. Sua produtora, a MTM Enterprises, criou séries de sucesso e produziu espetáculos para a Broadway. Em 1988, foi vendida por US$ 320 milhões. Lena Durham, criadora de “Girls”, afirmou que a atriz teve profunda influência em seu trabalho. Tina Fey também já havia declarado que se inspirara nela para criar a série “30 Rock” e sua personagem, Liz Lemon. No entanto, a história de Mary Tyler Moore não foi feita apenas de sucessos: seus pais eram alcoólatras – e ela mesma reconheceu ser dependente do álcool – a irmã mais nova morreu de overdose e seu filho único foi vítima de um acidente com arma, em 1980. Sua trajetória foi de sucessivas superações, mas a chama se mantinha acesa. Numa entrevista dada na década de 1990, ela dizia: “Cheguei a um ponto da vida em que não preciso mais trabalhar. Trabalho porque gosto, e só gosto de coisas que me amedrontem um pouco”.
 
Talvez precisemos de novas versões do “Mary Tyler Moore Show” para inspirar as novíssimas gerações de mulheres. Engana-se quem acha que as coisas mudaram tanto que tudo está resolvido e o feminismo pode virar verbete arqueológico. A revista “Science” publicou estudo feito pela Universidade de Nova York mostrando que, aos seis anos, as meninas acreditam que os homens são mais inteligentes e talentosos que as mulheres – interessante é que, até os 5 anos, essa percepção não existe, porque os estereótipos ainda não se entranharam na cabecinha dos pequenos. A inglesa Nicola Thorp perdeu o emprego de recepcionista porque se recusou a usar saltos altos. Não ficou calada e abriu uma petição no Parlamento para que este impedisse as empresas de agir desta forma. A petição recebeu mais de 150 mil assinaturas e um relatório do Parlamento, publicado em primeira mão pelo jornal “The Independent” semana passada, é revelador: centenas de mulheres foram ouvidas e confirmaram que eram obrigadas a usar salto alto, cabelo e maquiagem impecáveis e roupas provocantes. Apesar da legislação ser clara ao proibir a discriminação, a realidade tinha ingredientes de machismo, sexismo, misoginia e assédio moral e sexual. E isso acontece na Inglaterra! O Parlamento fez um alerta de que a legislação não é totalmente efetiva e que é necessário tomar mais providências para proteger as mulheres deste tipo de abuso. Lá e aqui, temos que arregaçar as mangas: há muito a fazer, principalmente com meninos e meninas que poderão reescrever o futuro. 

 

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